Queria ter uma câmera…
que filmasse tudo isso. Por que fotos, assim como palavras, nunca demonstram exatamente o que sinto. Tudo de ontem, do hoje e amanhã. Que tivesse filmado o que já passou e tudo o que ainda está por vir. Que filmasse não o que vejo, mas o que sinto. O que penso, o que quero, o que acho e o que não falo. Minhas confusões, minhas dores, meus amores e minhas lembranças.
Que filmasse a saudade de tudo o que sinto, e ainda o que vivo agora, pra sentir falta mais de perto no futuro. Que filmasse tudo o que já aprendi com a vida, mas ainda assim continuo fazendo errando e sofrendo as consequencias. Que filmasse tudo o que já prometi a mim mesmo, mas continuo sem cumprir. Que filmasse minhas reações, em cada momento especial. Cada gotícula de suor nas mãos naquele momento ansioso, cada toque de lábios daquele primeiro beijo, cada piscada mais lenta daquele primeiro olhar ao dizer o primeiro eu te amo, cada pipoca daquele filme que tanto me faz chorar. Que filmasse as pessoas que foram e não voltaram mais, e até mesmo como era a vida antes de certas aparecerem.
Queria ter uma câmera que filmasse tudo isso. Por que fotos, assim como palavras, nunca demonstram exatamente o que sinto.
Relatos de um computador que, depois de meses quebrado, voltou hoje.
Percebi gigantescamente como faz diferença o pc ligado o dia todo… liguei logo que acordei e logo que cheguei da facul e vi como ele me tira de mim e ainda me faz esquecer do tempo, das obrigações e das coisas simples como comer o café da manhã no quintal em vez de na frente da tela do pc.
Já quero arrumar isso logo pra conseguir continuar me dando e sentindo bem aqui que nem quando ele não estava. Não quero voltar ficar o dia todo antes e depois da facul até tarde na internet e me desligar de mim mesmo. Mesmo por que se eu fizer isso agora, fico sem ter o que comer, que roupa vestir e com a casa toda suja. Vou tentar coisas como ficar o menor tempo possível nele, ou então evitar deixar ligado/ligar em certos horários. Espero que adiante, pois não quero trocar coisas como tomar sol no quintal, tocar violão, jogar videogame, fazer surpresas pro Feh, fazer um doce ou melhorar detalhes e coisas da casa por uma tela de computador que dá dor de cabeça depois de algumas horas. Se eu consegui ficar meses sem usar ele em casa e isso me ajudou tanto a lembrar de curtir também as coisas simples da vida, quero que ele seja só um complemento, e não uma substituição.
Abrigo
De repente você já não é mais aquela pessoa sonhadora. Já não sente mais o quanto sentia, já não deseja mais o quanto desejava, já não se anima mais o quanto se animava.
De repente os seus sonhos não te agradam mais, alcançados ou não. Se tornam mais um fardo na sua vida a te consumir.
De repente não é mais tudo isso o que você quer, todo esse tempo sem tempo, essa correria e cansaço, essas metas que não mais te satisfazem.
E, de repente, você que fugir. Sumir, correr, desaparecer, ir. Ir para um refúgio, para dentro de si, para a verdade, para o que é e o que deve ou não ser. Ir para qualquer lugar que agrade, que receba, que deixe, que não pressione, e sair, se precisar. Mudar, ficar, voltar.
De repente você percebe que já se perdeu nessa vida de gente grande, cheia de obrigações que estragam sonho por sonho e te limita a viver, ser, sentir e saber o que ela quiser e permitir.
E já sabe o que não quer, mas saber o que quer não é fácil. Afinal, se até um tempo atrás o que tanto sonhava já é o que tanto te consome, como querer algo agora?
Ouvi a vida toda as pessoas falando pra aproveitar enquanto era “pequeno” por que crescer e ser adulto não era nada fácil.
Sempre subestimei essas pessoas e seus dizeres, sempre achei que eram elas que não sabiam aproveitar a vida adulta, levavam as coisas muito a sério e se esqueciam de sentar pa ver desenho…
Da mesma forma, subestimei as que diziam pra aproveitar a época de escola e colegial, sempre pensei “Dizem isso por que não estou se fudendo no meu lugar, lotadas de provas, trabalhos, professores chatos e alguns legais também”.
Hoje em dia eu entendo…
Hoje em dia eu confesso que nunca senti tanta falta de épocas da minha vida como a época do colegial. Assim como nunca pensei que “ser gente grande” como disse um sábio grande amigo e irmão, seria tão difícil.
Não é tão fácil largar as prioridades e simplesmente sentar na tv comendo chocolate pra ver desenho quanto parecia quando eu era menor….
Desabafo (confuso) de um relógio de parede parado(?).

Nunca pensei que passar um dia na simplicidade, sem correria, sem cabeça cheia de pensamentos, sem ter que decidir em qual ordem fazer as coisas da tarde, do dia, da semana e do mês seria tão difícil. Nunca pensei que seria tão difícil lidar com o tempo. Com o profissional e o pessoal. O sentimental e o racional.
E então nada mais faz sentido.
O tempo existe desde que você nasce, se não antes, sua idade já começa a ser contada logo que se descobre a gravidez. Você convive com ele o tempo todo, tem hora para parar de brincar e ir dormir, hora de levantar pra ir pra escola, hora de ir para seus cursos e estudar para provas difíceis. Hora marcada para seu primeiro encontro e de decidir o que será do seu futuro. Hora de passar no vestibular, hora de aprender a cozinhar, hora de casar e até de esquecer tudo e se trancar no escuro.
Mas se a tanto lidamos com o tempo, por que fica tão difícil, 20 anos depois, lidar com ele?
Organizar os trabalhos da faculdade, os sentimentos no coração, as ideias na cabeça e os produtos na loja. Separar a raiva da tristeza, e a alegria da agitação, o profissional do pessoal e o dia a dia do ócio.
Eu queria mesmo é férias. Não férias da faculdade, nem do trabalho. Férias da vida. Queria simplesmente acabar com as preocupações e poder viver de verdade, sentir a vida e o dia a dia. Sentir aqele ventinho gelado no rosto, sentir aquela vontade de gargalhar, sentir vontade de se jogar na grama e ceder a ela. Aquela vontade de conhecer gente nova, não por que pode ser um bom contato para o futuro, mas simplesmente por que o tênis dela é legal. Aquela vontade de acordar de manhã, respirar fundo, abrir os olhos, pensar “E o que tenho para fazer hoje?” E a resposta ser nada mais nada menos do que “Nada!”. Aquela vontade de cozinhar, não por fome, mas por prazer, de desenhar, não por nota ou para cliente, mas por inspiração. De se vestir bonito, não para agradar alguém, mas simplesmente para se sentir elegante enquanto anda na rua sem rumo. Se pressa, sem hora pra voltar, sem lugar para chegar, sem nada com que se preocupar.
Afinal, é o tempo? É o tempo o problema, ou será a organização? A organização de ideias e separação das coisas ou ainda a falta de férias? A falta de férias para relaxar um pouco ou ainda uma vida de férias, sem precupação, apenas prazeres? Afinal isso tem nome? Todos sentem? Como lidam? Como lido?
Chega num ponto que você sabe que a simplicidade no viver é tão importante que você acaba querendo fazer tudo o que tem pra fazer para poder ficar com ela. Mas não percebe que enquanto tentar fazer o que precisa, não vai alcançar esse tempo disponível, e quando se dar conta enquanto escreve um desabafo em um blog pessoal, já tinha esquecido da importância qu existia em tal simplicidade.
É engraçado como você pode muito bem lutar uma vida toda para alcançar deveres que te dão prazer. Você luta para sua faculdade dos sonhos, e para realizar uma meta de ter uma empresa, almeja o namorado perfeito e aé chega perto de se casar. Percebe que seu sonho de “fama” nem é tão distante quanto imaginava. Porém, acaba se aprofundando e, consequentemente, afundando tanto no que tanto deseja que acaba esquecendo o prazer que aquilo deveria te proporcionar e começa a tratar aquilo como uma obrigação ou meta a ser cumprida num certo prazo de tempo ou com uma certa qualidade.
E o que escrever para finalizar uma ideia e um texto tão compridos quando você nunca foi bom em conclusões? Acho que já dá pra começar desde então, tentando se livrar de tal obrigação.
